Canetas Emagrecedoras: a importância do suporte nutricional
- Angélica Soller

- há 6 horas
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O uso das canetas emagrecedoras (Ozempic, Mounjaro) virou uma “febre” nas rodas de conversa daqueles que querem eliminar os quilos extras e dar fim à obesidade. Porém, vale lembrar que o uso prolongado desse recurso pode ocasionar carência de micronutrientes na alimentação, fragilizando a funcionalidade do organismo. Daí a necessidade de se optar por um tratamento multidisciplinar envolvendo avaliação médica, nutricional e de educação física. A perda de peso precisa estar alicerçada em um protocolo alimentar, formulado sob medida, incluindo na dieta proteínas de fontes animais (carne, frango, peixe, ovos, leite e derivados) e vegetais (soja, lentilha, castanhas, grão de bico etc.), além do controle das dosagens de Vitamina B12, ferro e Vitamina D.
Confira aqui a entrevista com a nutricionista Renata de Souza Bellagamba.
- Como combinar o tratamento da obesidade com as canetas emagrecedoras para que não haja riscos nutricionais?
O uso prolongado das canetas emagrecedoras pode sim causar carências nutricionais, mas não de forma direta. O risco acontece porque esses medicamentos reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico e, com isso, as pessoas passam a comer pouco e com baixa qualidade nutricional. Na maioria das vezes, eliminam grupos alimentares importantes para a saúde. O foco não deve ser apenas a redução calórica, mas sim a qualidade dos alimentos ingeridos.
- Qual a base/protocolo da dieta ideal para evitar a perda de massa magra e a flacidez corporal e facial durante o tratamento?
O ideal é consumir proteína como prioridade (1,2 a 1,6 g/kg/dia), distribuídas em 3-4 refeições diárias; déficit calórico moderado ( de 300-500 kcal/dia, evitando dietas restritivas; treino de força obrigatório (sem a prática de musculação, a predação muscular é inevitável); e gorduras boas controladas (0,8-1g/kg/dia).
- O que incluir no cardápio para que o paciente não tenha constipação intestinal?
A constipação é um efeito comum em pacientes que utilizam agonistas de GLP-1 (medicamentos que reduzem o apetite), pois retardam o esvaziamento gástrico e reduzem a motilidade intestinal. Por isso, é fundamental garantir uma ingestão adequada de fibras, em torno de 25 a 35 g por dia, além de reforçar a importância da hidratação, com consumo médio de 30 a 35 ml de água por kg de peso corporal. No cardápio, devem ser incluídas frutas (como mamão, kiwi, ameixa e laranja com bagaço), verduras, legumes, feijão, aveia e sementes como chia ou linhaça. A prática regular de atividade física também contribui para o bom funcionamento intestinal.
- Qual a importância do uso de suplementos vitamínicos durante o tratamento? Quais os principais deles e suas funções?
A suplementação deve sempre considerar a necessidade individual de cada paciente, com base na avaliação clínica e em exames laboratoriais. Nem todos precisarão suplementar, mas, quando há ingestão reduzida ou sinais de deficiência, pode ser indicado o uso de proteínas, vitamina D, vitamina B12, ferro ou magnésio, conforme o caso.
- A pressa para emagrecer pode gerar ansiedade. O que incluir na alimentação para atenuar esse problema?
A pressa para emagrecer pode elevar os níveis de cortisol, aumentando o risco de compulsão alimentar, irritabilidade e medo de engordar. Dietas muito restritivas tendem a agravar esse quadro, intensificando a ansiedade e prejudicando a relação com a comida. Para atenuar esse problema, é importante evitar restrições extremas e incluir estrategicamente alimentos fontes de triptofano, como banana, aveia, cacau e sementes, além de garantir adequado aporte de magnésio. Manter refeições estruturadas ao longo do dia também contribui para maior estabilidade glicêmica e melhor regulação do humor.
- Como é feita a manutenção do tratamento após o indivíduo chegar ao seu peso ideal e assim evitar o efeito rebote?
A manutenção é feita por meio do ajuste gradual do déficit calórico, com aumento progressivo das calorias até atingir um nível compatível com a nova fase metabólica. Também é importante avaliar a necessidade de manter uma dose reduzida da medicação, de forma individualizada. Deve-se manter a ingestão adequada de proteína e a prática regular de treino de força, a fim de preservar a massa magra e o gasto energético basal. Além disso, é fundamental trabalhar o comportamento alimentar, pois a medicação isoladamente não sustenta os resultados se não houver mudança de hábitos.
- Dê um exemplo de dieta (café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar) que traga saciedade e preserve o equilíbrio nutricional de quem faz uso das canetas emagrecedoras.
Café da manhã:
Ovos mexidos ou cozidos/frango desfiado/atum
Pão/tapioca
Café com leite (ou puro)
Lanche:
1 fruta (mamão, maçã, banana)
Iogurte natural
Aveia/sementes
Almoço:
Arroz
Feijão
Frango/carne/peixe
Legumes cozidos
Salada variada
Lanche da tarde:
Ovo cozido/ iogurte natural/vitamina
Jantar:
Arroz
Feijão
Frango/carne/peixe
Legumes
Lembrando que esse é apenas um modelo estrutural. A organização alimentar deve ser individualizada, respeitando as necessidades energéticas, preferências, rotina, nível de atividade física e resposta ao tratamento de cada paciente. O número de refeições ao dia também pode variar. O paciente pode fazer menos refeições desde que o aporte nutricional esteja adequado e bem distribuído. Ajustes devem ser feitos ao longo do acompanhamento, conforme evolução clínica, composição corporal e exames laboratoriais.
Por isso, não tenha pressa em emagrecer rapidamente. Com disciplina, força de vontade e o monitoramento multidisciplinar (médico, nutricionista, educador físico), o organismo vai se adaptando e os resultados, certamente, serão muito benéficos.
Fonte: Renata de Souza Bellagamba – nutricionista (CRN 91535)
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